Como vimos anteriormente, a comunicação provoca automaticamente uma perda na realidade metafísica aquando da sua transmissão. Até mesmo as imagens, na televisão ou na fotografia, são incapazes de transmitir todas as dimensões de uma realidade física ou metafísica. A televisão mostra apenas o que quer: as pessoas que fazem a televisão (os produtores, os directores, os técnicos, etc.) escolhem e mostram o que querem mostrar. Por exemplo, durante um fogo-de-artifício as câmaras de televisão estão viradas para o céu, concentradas nas explosões multicolores. O telespectador não tem escolha, ele vai ver e conhecer apenas aquilo que a televisão vai lhe mostrar. O espectador presente no local vai poder observar o público, os arredores, as partes do céu onde não há fogo-de-artifício tendo assim um conhecimento e uma experiência diferente, muito mais global do evento. Tendo eles acessos diferentes à realidade, o telespectador poderá achar o fogo-de-artifício espectacular enquanto que o espectador o acha bastante monótono.
Consciência da irrecuperabilidade do tempo
A obsessão pelo tempo foi substituída por um mórbido e desobediente desprovimento de vontade. A consciência nervosa, a urgência obcecada e...
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Numa adaptação televisiva das suas viagens (adaptação de 1996), Gulliver, ao voltar a Inglaterra, ao voltar para a sua realidade, enlouqueci...
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